Os Marranos (“ANUSSIM”) e o Estado de Israel

Em 1983 fui enviado pelo Estado de Israel em uma “missão de reconhecimento” para Portugal e Espanha, especificamente para Lisboa, Belmonte e Madrid onde conheci pela primeira vez a comunidade de Marranos da cidade de Belmonte e também de outras localidades em Portugal.

Eu posso afirmar que os meses em que passei em Portugal foram uma experiência inesquecível, mas infelizmente, após o meu retorno a Israel não pude mais continuar a me dedicar ao assunto relacionado aos Marranos.

O Estado de Israel e a polêmica:

Há divergência de opiniões sobre a necessidade de interferência do Estado de Israel com as comunidades descendentes dos Marranos.

Uma parte dos israelenses acha que o Estado de Israel não deveria interferir nesse assunto e depois de tantos anos sem nenhum elo verdadeiro com o Estado Judeu ou até mesmo sem nenhum vínculo concreto com o judaísmo (com exceção de alguns costumes) essas comunidades ficaram totalmente assimiladas e não cabe ao Estado de Israel como soberano, interferir com essas comunidades deixando a elas mesmas procurarem soluções de reaproximação.

Depende de como encaramos o assunto pois estamos falando de milhões de pessoas que de uma forma ou de outra estão vinculadas ao povo Judeu diretamente ou indiretamente e seja milhões ou centenas de milhares seria impossível negar o fato de que entre os Portugueses e Espanhóis, uma quantidade considerável que é sem sombra de dúvida Judeu de acordo com todas as regras da lei judaica (Halacha) porém a vasta maioria não é de maneira alguma e não pode ser encarada como Judeus.

O DNA e os Marranos:

Obviamente que não existe nenhum tipo de exame (como DNA ou reconstrução de árvore genealógica) que possa determinar com certeza que um descendente de Judeu pode ser considerado judeu em nossos dias de acordo com a lei judaica e não seria possível reconhecer esses “Marranos ou Novos Cristãos” como sendo Judeu – não sem a necessidade de uma conversão ortodoxa.

Sendo assim, seja qual for o sentimento de um Marrano em relação ao Judaísmo, uma conversão ortodoxa será necessária e não basta somente se “sentir Judeu ou ter raízes judaicas”.

Nos últimos anos vem crescendo a quantidade de Brasileiros que “se reconhecem” ou se “consideram” JUDEUS por serem Marranos ou Novos Cristãos (ou terem antepassados Judeus) e por isso querem voltar para os berços do judaísmo.

Entrando no mérito da questão da validade ou da natureza dessa “vontade de retornar ao judaísmo” e quão sincera ela é, não se pode negar que uma grande parte dessas pessoas querem na verdade o Estado de Israel como lar e não o judaísmo como berçoe religião e existe uma enorme diferença entre as duas formas de penssar.

Descendente (de uma forma ou de outra) do povo Judeu que perde os vínculos com o judaísmo e agora pede para “retornar ao lar” não vai encontrar uma volta fácil, muito pelo contrário, vai ter de encarar um mar de obstáculos. Essa vontade de retornar ao judaismo por si só não é uma garantia para ser reconhecido como judeu e nem vai facilitar o processo.

O processo será longo quando a maioria daqueles que começam essa caminhada não conseguirão passar da primeira etapa e serão poucos aqueles que conseguirão chegar ao final do processo.

Esse processo de conversão ao Judaismo é difícil, penoso e só poderá ser realizado em Israel. Os estudos judaicos poderão ser feitos fora do Estado de Israel, porém para que sejam reconhecidos oficialmente e pelas entidades religiosas, terão que finalizar o processo em Israel depois de passar pelo tribunal rabínico o que é muito difícil isso sem falar naqueles que adotaram e querem continuar  a praticar outras crenças.

Eu aconselho aqueles que estejam decididos a começar esse ardoroso processo que parem para refletir se realmente estão aptos e decididos a enfrentar as inúmeras dificuldades que terão pela frente e não se deixem enganar por charlatões que prometem ser “rabinos aprovados” ou donos de “títulos duvidosos” – no fim eles não passam de vendedores de sonhos.

Uma última palavra:

A conversão é um processo longo e a vida como Judeu que segue as regras (são inúmeras), é muito mais complicada e limitadora. Uma pessoa pode ser um justo mesmo não sendo Judeu e pode continuar a contribuir para a humanidade da mesma forma que um Judeu contribui.

The Szajnbrum Group